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Lula dá aval para meta contínua de inflação de 3% – 25/06/2024 – Mercado


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu avaliação para a formalização da meta contínua de inflação de 3% em reunião na tarde desta terça-feira (25) com o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e diretor de Política Monetária do Banco CentralGabriel Galípolo.

No encontro, foram discutidos detalhes do texto que sacramenta a mudança no sistema de metas de inflação. O decreto aprovado por Lula deve ser publicado no Diário Oficial da União depois da reunião do CMN (Conselho Monetário Nacional), agendada para esta quarta-feira (26).

Além de Haddad, compõe o CMN a ministra Simone Tebet (Planejamento e Orçamento) e o presidente do BC, Roberto Campos Netoalvo preferencial das críticas de Lula pela condução da política de juros do país.

O encontro com Galípolo não constava inicialmente na agenda oficial do presidente nem entre os compromissos do diretor do BC. A autoridade investiu na reunião posteriormente.

Após a reunião no Planalto, a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) confirmou que Galípolo participou do encontro com Lula, Haddad, o ministro Alexandre Padilha (Secretaria de Relações Institucionais) e a secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, como substituto do ministro Rui Costa (de férias). Apesar de ser integrante do CMN, Tebet não estava presente.

Favorito a assumir o comando do BC no ano que vem, Galípolo segue tendo canal direto com Lula desde que deixou o cargo de secretário-executivo da Fazenda e assumiu o posto no BC. Na autoridade monetária, o debate sobre a meta de inflação está sendo conduzido pela diretoria de Política Econômica, comandada por Diogo Guillen.

Campos Neto, por sua vez, voltou a entrar na mira de Lula depois de um período de trégua e segue distante do Planalto. O presidente do BC, cujo mandato termina em 31 de dezembro, foi chamado de adversário político e ideológico pelo chefe do Executivo.

A mudança do sistema de metas de inflação, que vigorava há 24 anosfoi anunciado em junho do ano passado por Haddad. Na ocasião, o chefe da equipe econômica divulgou que, a partir de 2025, o BC passaria a perseguir o alvo de forma contínua, não mais anual. Foi determinado também o alvo de 3% para a variação de preços.

Isso significa que a autoridade monetária passará, a partir do ano que vem, a buscar a meta de 3% –com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos– sem se vincular ao modelo atual do ano-calendário, ou seja, o período de janeiro a dezembro de cada ano.

Sem a formalização da mudança via decreto, também continuarão indefinidos detalhes referentes ao modelo do sistema de meta contínuo. Um deles é o espaço de tempo que o BC terá para buscar a convergência da inflação para meta de 3%.

O prazo para cumprimento do objetivo não é o mesmo para todos os países que adotam esse modelo de meta contínua, podendo variar de 12 a 24 meses. A autoridade fiscal brasileira já vem trabalhando com um horizonte mais alongado, sem seguir necessariamente o ano fechado, como forma de suavizar sua política de juros.

Persiste ainda a dúvida sobre a prestação de contas do BC em caso de estouro da inflação. Logo após a decisão do CMN do ano passado, Haddad disse que a tendência era que os esclarecimentos de dados pela instituição se tornassem mais frequentes no novo sistema, embora o formato não estivesse fechado.

Hoje, quando a inflação anual fica fora do intervalo de tolerância, o presidente do BC precisa escrever uma carta ao ministro da Fazenda explicando as razões para o descumprimento.

Desde a criação do sistema de metas para a inflação no Brasil, em 1999, já foram escritas sete cartas —duas de autoria de Campos Neto.

A lei de autonomia do BC, em vigor desde 2021, também determina que o chefe da autoridade monetária vá ao Congresso Nacional prestar esclarecimentos ao menos duas vezes ao ano.

A norma vigente obriga o CMN a fixar as metas de inflação a serem buscadas pelo BC com três anos de antecedência. Sem o decreto formalizando a mudança, o colegiado seria obrigado a anunciar nesta quarta a meta de 2027 para seguir o rito habitual.



FOLHA DE SÃO PAULO

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