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As promessas de Trump 2 – 20/07/2024 – Vinicius Torres Freire


É ainda mais temerário fazer prognósticos sobre uma eleição em que um candidato quase foi assassinado e outro pode ser deposto.

Mas nós últimos acontecimentos provocaram mais especulação sobre Donald Trump 2. Segundo pesquisa YouGov/CBS feita entre os dias 16 e 18 de julho, Trump tem 52% dos votos, Joe Biden, 47%. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais.

Dados sobre o estado calamitoso da campanha de Biden, a possibilidade de que o sangue de Trump inflaria sua votação e que faltaram três meses e meio para a votação, não parece vantagem insuperável. De resto, o resultado da eleição depende muito de meia dúzia de estados que oscilam entre democratas e republicanos, onde a disputa está em conflito.

Biden é impopular, é certo. Apenas 5% dos Participações consideramos que os EUA vão “muito bem”; outros 19% acham que vai bem (“um pouco bem”). Para 33%, vai “mal”; para 42%, “muito mal”.

Mas é fácil perceber que mesmo a péssima avaliação de Biden não leva ainda mais concorrentes para Trump. Poucas pessoas dizem votar em Biden “principalmente porque gostam dele”: 27%. Outros 23% votaram no atual presidente porque ele é o candidato democrata; 50% porque querem derrotar Trump.

Mesmo a vice-desprestigiada de Biden, Kamala Harris, faria uma disputa mais apertada com o republicano. A eleição parece ainda aberta.

O escrutínio sobre Trump 2 é mais intenso também porque ele é uma novidade.

Na especulação mais comum, diz-se que Trump 2 saberia manejar melhor a máquina pública, com maior chance de levar à prática suas ideias. Se diz que seus nomeados implementaram um programa mais detalhado, talvez o da Heritage Foundation, direita conservadora dura, embora o poder de influência da fundação seja controverso.

Isto posto, Trump é um extremo oportunista picareta, que muitas vezes se adapta à situação, embora seja perturbado. O programa dele é ele.

Poucos antes do atentado, o Wall Street Journal publicou pesquisa com economistas sobre as Consequências econômicas de Trump 2.

A absorção foi de inflação e juros maiores, o que influenciou a economia do mundo, aqui inclusive. Uma alta grande de impostos de importação e barreiras à imigraçãocomo quer Trump, encareceriam produtos, insumos e mão de obra nos EUA.

OK. Mas essas mudanças pequenas em indicadores financeiros parecem risíveis perto do tumulto que o republicano pode causar na ordem política e econômica mundial, para nem falar dos danos à civilização e à democracia.

Trump diz o que quer paz na Ucrânia. Isto é, a tradução: que a guerra termina com os ucranianos cedendo territórios à Rússia de Vladimir Putin. Quer cortar o subsídio militar para a Ucrânia e para a Europa. Se levarem esses planos futuros, obrigarão os europeus não apenas a gastar mais em defesa, o que causaria salseiro fiscal e econômico, talvez político, mas também a mudar sua diplomacia, elevando a tensão mundial.

Terá uma Suprema Corte a seu favor; quem sabe um Congresso republicano. Assim, poderia desmontar as agências de regulação e fiscalização do governo e facilitar a demissão ou manipulação dos servidores federais. Não terá de se preocupar com a reeleição (não pode se candidatar a um terceiro mandato).
Trump pode querer mudar a regulação sobre as “big techs”, apertando-a em alguns casos, de segurança, liberando em outros. Não é liberal: o vencedor escolhe.

Se ficar solto para aumentar ainda mais déficits e dívidas do governo (cortando impostos), pode causar mudanças estruturais no sistema de importações internacionais e nas taxas de juros dos EUA e do mundo. Se diminuir impostos sobre empresas, vai colocar pressão sobre o sistema tributário do resto do planeta também.

Mas a eleição está aberta. Ainda não é tarde para os EUA e para o mundo.

O colunista estará em férias até agosto.


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FOLHA DE SÃO PAULO

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